Oportunidade
para a engenharia portuguesa
Prevêem-se para 2011 taxas de crescimento negativo, aumento do desemprego e fortes medidas de contenção com vista a diminuir o défice público. Ora, a retracção do investimento público tem impacto directo e imediato nas obras públicas, com a redução drástica do número de empreitadas adjudicadas.
Também no sector privado o quadro não se apresenta mais favorável. O endividamento das famílias e a dificuldade no recurso ao crédito impedem o reavivar do mercado residencial e a falta de medidas legislativas não faz antever o estímulo do mercado da reabilitação. No que respeita ao segmento não residencial, o cenário não é diferente e, antes da retoma económica, dificilmente poderemos perspectivar melhorias visíveis.
Nestas circunstâncias, é natural que os empresários do sector estejam pessimistas quanto à evolução da produção das empresas de construção. Contudo, não pode olvidar-se que é nos momentos difíceis que nascem as grandes oportunidades e, portanto, este é também um momento de excelência para o desenvolvimento do sector através da optimização de processos e assunção de posturas competitivas (com novas abordagens, rigor acrescido no controlo de custos, estratégias inovadoras e capacidade de diversificação).
É neste âmbito que tem surgido um apelo cada vez maior à internacionalização, que nalguns casos, tem vindo a deixar de ser uma opção estratégica para passar a ser uma questão de sobrevivência. Internacionalizar-se é, cada vez mais, integrar-se numa rede de acordos inter-empresariais erigidos por cima das fronteiras políticas, garantindo os mercados e segmentos que escasseiam em Portugal.
A internacionalização empresarial, de acordo com estudos recentes vem sofrendo importantes mudanças:
- empresas de pequena e média dimensão, através de métodos muito diversos, estendem a sua actividade através das fronteiras, mostrando que a actividade externa não é um exclusivo das grandes multinacionais;
- são adoptadas novas fórmulas contratuais que permitem um melhor aproveitamento das vantagens competitivas, garantindo simultaneamente maior flexibilidade em contextos de mudança;
Assim, o processo de internacionalização deixou de apresentar-se como uma aventura solitária para a empresa, sendo a selecção de sócios e de fórmulas contratuais aspectos chave na estratégia internacional das empresas.
Reunir condições
de sucesso
Para além do Brasil e dos países africanos de língua oficial portuguesa - mercados óbvios, pelas afinidades linguísticas e culturais - outros países têm vindo a suscitar o interesse das empresas portuguesas.
Os Países de Leste, em especial, a Hungria, a Polónia e a República Checa - e mais recentemente também a Roménia e a Bulgária - revelam-se cheios de oportunidades para a "Engenharia Portuguesa" reconhecida internacionalmente pela sua qualidade.
A verdade é que com a assinatura dos tratados de adesão à união europeia, estes países se comprometeram, não só com a lógica da economia de mercado, como com as liberdades fundamentais do mercado interno europeu (pessoas, capitais, mercadorias e serviços).
Além disso, e como é natural, estes países vão atrair crescentemente fundos comunitários que impulsionarão o seu crescimento económico. Recordemos que, no caso português, esses mesmos fundos foram responsáveis por 1,5% do crescimento anual do PIB nos cinco anos após a adesão. No mínimo, é expectável que um idêntico crescimento ocorra agora nos novos Estados membros.
Prevê-se igualmente uma modernização desses países - a nível de infra-estruturas, redes de transporte, serviços, novas tecnologias e formação profissional - o que dinamizará, com certeza, o investimento público e privado.
O sector das obras públicas português beneficia do know-how específico apreendido nas grandes obras de infra-estruturação do nosso país com o apoio dos fundos comunitários, o qual poderá ser utilizado e representar uma mais-valia competitiva. Mas também o sector privado tem vários desafios a que pode responder com qualidade e sucesso.
Contudo, para investir no Leste da Europa é indispensável reunir condições de sucesso.
Em primeiro lugar, é necessário possuir informação rigorosa sobre esses mercados, abrangendo não só estudos de mercado, como também a legislação, o funcionamento da administração pública, o quadro político, principais referências culturais e opinião pública.
Fundamental é igualmente definir uma estratégia de médio/longo prazo, a qual deverá compreender quadros minimamente informados sobre a realidade local, uma boa selecção de parceiros locais - seja para consultoria ou para associação - e estar alicerçada num quadro financeiro adequado.
A existência de uma estratégia bem delineada pode catapultar os empreendedores portugueses para o sucesso, sendo que o fracasso espreita pela porta do facilitismo, existindo em Portugal muitas histórias que comprovam os resultados das escolhas realizadas em prol de ambos os caminhos.
Ana Sofia Catarino
Sócia
Teixeira de Freitas, Rodrigues e Associados, RL











