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Sábado, 19 Maio 2012
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Sustentabilidade na Gestão da Habitação
Texto de Susana Lucas
4 Julho 02.21   |   
A Sustentabilidade apresenta-se como ponto de ligação entre Ambiente, Sociedade e Economia, sendo igualmente definida no Relatório de Brundtland (de 1987)como “satisfazer as nossas necessidades sem comprometer as necessidades das gerações futuras.”. Como isso pode ser aplicado na nossa casa? Somos ou podemos ser Sustentáveis na Gestão da nossa Habitação?
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Analisando as três vertentes da Sustentabilidade e verificar a sua aplicabilidade a uma Habitação. Comecemos pelo Ambiente. É um assunto amplamente divulgado, publicitado e está no nosso quotidiano. Vejamos na nossa habitação. As campanhas de informação e divulgação da separação dos resíduos, considero que foram dos maiores sucessos. Temos os habitantes com idades inferiores a verificar, inspeccionar e controlar toda a restante família e ai de quem não saiba o que colocar no ecoponto amarelo! Julgo que neste aspecto a maioria das famílias está no caminho da Sustentabilidade. Contudo considero que outros aspectos em relação à Gestão Sustentável dos Resíduos na nossa Habitação podiam ser melhorados. Em primeiro lugar na Redução. Tendo em conta os dados disponibilizados pela Sociedade Ponto Verde continua e verificar-se um aumento da produção de Resíduos em termos globais. Temos que reduzir a produção de resíduos, podendo passar pela sua reciclagem e reutilização. Nas Escolas existe hoje em dia uma sensibilidade Ambiental muito elevada. Estão sempre a solicitar às famílias embalagens de diversos tipos para serem utilizadas em actividades. Porque não passarmos o conceito para o interior da nossa habitação? Será que não existem embalagens que podíamos utilizar para outro fim? Uma embalagem de vidro de feijão cozido não pode ser para uma compota, um chá ou para guardar chips? E as embalagens de plástico, não podem ser vista com outras utilidades? Sei que não são tão apelativas mas podemos até pintar, colar fitas ou recortes e passarem a ter uma “nova cara” e uma nova vida. E os óleos usados além dos separarmos não podemos ver na internet receitas simples para fazer sabão, sabonetes ou velas para utilizarmos e darmos. Por aqui vamos às prendas. O que temos de resíduos por causa delas, que podia passar a ser novas prendas, outros embrulhos mais originais e personalizados. Passado dos resíduos para os recursos a situação está com menos controlo. Quem tem noção de quantos metros cúbicos de água consome? Existe um sítio na internet da EPAL muito interessante onde podemos fazer uma simulação dos nossos consumos domésticos. No meu caso cheguei à conclusão que os duches são onde nós consumimos mais além das máquinas de lavar, nos lavatórios e autoclismos. Verifica-se que existem soluções muito simples e económicas para a situação. Para os duches pode-se colocar um redutor de pressão, cujo custo é cerca de 10% de um equipamento novo, claro que tem que ser certificado de eficiência hídrica (em Portugal só a ANQIP - Associação Nacional para a Qualidade das Redes Predais, o efectua). Para os lavatórios podemos substituir as torneiras por umas que sejam Eco, ou seja, em princípio só descarregam 50% do caudal, e é preciso fazer mais força para descarregar o máximo, ai o investimento já é maior, talvez quando for necessário trocar as torneiras existentes e ser igualmente com eficiência hídrica. Em relação aos autoclismos existem com dupla descarga, claro que convém novamente terem certificado de eficiência hídrica, mas pode-se passar por outra solução transitória, alternativa ou mesmo extra. Enquanto se deixa o duche a correr para a água chegar quente, recolher essa água num recipiente, e verifica-se que em cada duche consegue-se recolher cerca de 8 litros de água, o que pode sempre substituir pelo menos 2 descargas de autoclismo. Considero realmente que o controlo do consumo é fundamental para se ter noção do que se está a consumir. Em relação à máquina da roupa, além de quando se utiliza ser efectuada com a carga máxima, deve-se ponderar a utilização da água da chuva. Sim, temos campanhas a informar que o Sol quando nasce, nasce para todos, mas também quando chove, chove em todo o lado, pelo menos na mesma zona... É uma água que nos é fornecida e nos abastece a todos sem custos, temos apenas que ter condições para a recolher e armazenar. A utilização pode não ser apenas para a máquina da roupa, mas também para autoclismos e rega. Julgo que esta situação devia ser pensada por todos os condomínios de prédios. Além de se estar a reter água que podemos utilizar para fins em que não necessitamos de água potável, estamos a minimizar a entrada nas redes públicas de drenagem caudais elevados de água, que por vezes levam a cheias. Passando para outro grande consumo, a Energia. Aqui temos tido igualmente uma disponibilização de informação, de alguns incentivos e programas que potenciam a opção por equipamentos mais eficientes, bem como a utilização de energias renováveis. São tecnologias que estão diariamente em desenvolvimento e actualização, sendo que de todas a que está já mais estável é o aquecimento das águas quentes sanitárias a partir de painéis solares térmicos. Como referi anteriormente, o Sol realmente quando nasce, nasce para todos e é um recurso que podemos utilizar. Dentro das energias renováveis existe igualmente um grande potencial no nosso país, o aquecimento por Biomassa. Temos resíduos de floresta, resíduos de fruta entre outros, que temos disponível e actualmente ainda são pouco utilizados em especial em termos de habitação, sendo grande parte da produção nacional actual exportada para países terem a sua cota de energia eléctrica verde, produzida por fonte renovável. Contudo a minimização do consumo energético também é um factor importante e a considerar para a Sustentabilidade da Gestão da Habitação. Será importante quando for necessário substituir uma lâmpada verificar qual a melhor para o tipo de iluminação pretendida em especial em termos de consumo. Os “stand-by” são igualmente um factor a ter em conta na equação de consumo. Um não tem muito consumo mas se contarmos todos são é um valor bem significativo. Assim em termos Ambientais o importante é ter noção do potencial do que temos disponível do que podemos utilizar para outro fim, existindo assim custos associados à não utilização excessiva, será necessário ponderar. Por fim a questão da nossa alimentação. Estamos sempre a resolver o assunto de forma rápida, tanto nas compras, como a comer e a eliminar os excedentes. No caso das compras devemos ter a consciência de os custos associados ao transporte dos materiais (entre outros que levam a uma elevada Pegada Ecológica) e tentar de alguma forma minimizar, como? Desde ter um vaso com plantas aromáticas (quando compramos numa superfície comercial um molhe que pesa menos que 1/4 de quilo as voltas que ele já deu até chegar às nossas mãos…), existindo mesmo alguns legumes que conseguem crescer em vaso (por exemplo o tomate), como no caso de um condomínio poder ter sempre disponível uma área mais considerável para este fim. No comer a solução pelos alimentos da época considero ser a mais correcta. Fazer compotas e armazenar os alimentos também deve ser considerado. A Pegada Hídrica (quantos litros de água são necessários consumir até ao produto chegar às nossas mãos) de legumes congelados é muito elevada. Em relação à eliminação dos excedentes alimentares, em especial os ainda não processados devem ser separados e efectuar-se a compostagem (um processo de degradação da matéria que leva a ficar em condições de ser utilizado como adubo). Tanto individualmente como colectivamente no condomínio poderá existir um espaço para esse fim, que depois de efectuado o processo pode ser utilizado, sendo um fertilizante de qualidade, tanto para hortas como para jardins.
Em termos de Sociedade um dos principais aspectos que considero que deve ser revisto é a nossa ligação com a habitação. Queremos ter conforto, sem interagir com o espaço além de carregar num comando. Tem vindo a existir uma perda de ligação com a habitação, as pessoas pela falta de tempo ou talvez pela questão de nunca se sentirem completamente proprietários (os bancos ajudam neste aspecto!), não fazemos as renovações de ar que antigamente se efectuavam, só queremos climatizar de forma forçada. Tem que se voltar a interagir com a habitação de uma forma dinâmica e activa, garantido a sua manutenção e operação nas condições previstas. Considero que o nosso conceito de Necessidade está um pouco alterado, dado que a expressão “A Necessidade aguça o engenho” tem que ser considerada na utilização da nossa habitação, temos que ter um conforto adaptativo, não querer sempre as mesmas condições ambientais de conforto todo o ano, verificarmos as necessidades da casa de renovar o ar, de abrir ou fechar estores, de pinturas, acompanhar o evoluir dos dispositivos de utilização (se está a pingar, se não fecha como devia…). Estas tarefas podem envolver toda a família e responsabilizar todas pela dinâmica de conforto. Em relação aos espaços comuns só necessidades e exigências considero que não é o caminho mas sim a interacção para acompanhar, controlar e apresentar soluções ou mesmo melhorias. A interacção, Positiva, entre vizinhos também se tem perdido. Deve-se promover a troca tanto de alimentos produzidos (Ó vizinha tem ai um raminho de Salsa? Esta frase já dificilmente se ouve…) como o que já não é utilizável para nós pode ser para outros. Pode mesmo se promover o dia das Trocas e Vendas de forma a existir uma maior interacção entre a vizinhança fazendo assim que os materiais não saiam facilmente do condomínio, fica a sugestão! Mais uma, nas deslocações deve existir partilha entre vizinhos, efectuar caminhadas ou passeios de bicicleta em conjunto, será uma forma de melhor interacção e também de bem-estar.
Por fim a Economia considerando o actual estado de mudança (dizem de crise) é um aspecto sempre a ter em conta, e com as medidas apontadas será seguramente melhorado no final do mês em cada factura, bem como podemos estar a contribuir para que as gerações futuras pelo menos tenham as mesmas condições que nós tivemos, não herdamos mais sim temos emprestado pelos nossos filhos, assim podemos ser Sustentáveis na Gestão das nossas Habitações.

Susana Lucas: Coordenadora da Licenciatura em Gestão da Construção e Responsável pelo Gabinete de Conhecimento e Desenvolvimento da Escola Superior de Tecnologia do Barreiro do Instituto Politécnico de Setúbal
 

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